sábado, 20 de dezembro de 2008

A vida é nada

A maior parte dos segundos - e todos seus desdobramentos - ...vividos, é absolutamente nada.

Essa busca incessante pela intensidade diária é um suicidio do instante.

Quando se aceita o nada e se vive o nada, puro e banal do cotidiano, o prazer da surpresa dos milésimos de segundo de sentido que a vida pode proporcionar é orgasmático.

A vida é o nada acrescido das escolhas de quem vive. Não existe prazer absoluto na exerção das escolhas. As profissões, os hobbies, os estudos, são todos NADA; o que os torna valorosos são pequenos momentos de prazer paralelos a muitos momentos de suor .O suor não é NADA, mas não chega a ser alguma coisa, é um veículo.

Agora, o sentimentos são TUDO. Podemos dizer por exemplo que o amor é tudo, mas o casamento continua sendo nada, mas abençoado pelo tudo.

Esse texto pode soar polêmico, mas quando se almeja o tudo a todo instante, se desperdiça momentos, atos e sentimentos.

É preciso deixar de confundir objetividade com insensibilidade e sensibilidade com fragilidade.

Negar o sentido absoluto é crer na existência de sentido.

sábado, 29 de novembro de 2008

Resposta à uma afirmação adolescente...

Não é aumentando os ingredientes que se recupera uma receita fracassada.
Não é colocando "mais sal" que se salva uma receita sossa.
Prefiro olhar para os erros e tentar todos os dias de uma forma diferente...

sábado, 26 de abril de 2008

Crescimento

Crescer dói, mas o que dói mais é saber que se cresce sempre!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

De uma decpção com todos os seres

É natural do homem a fragilidade da alma.
O ser seguro é unica e exclusivamente aquele capaz de dissimular a própria fragilidade.
Ninguém se sabe seguro, pois no fundo ninguém o é.
Tal adjetivo é mero atributo relacionado sempre ao outro.
A inquietude é a essência de qualquer alma.
Só nos resta a proteção para um convívio social mais saudável.

Uma frase daquele filme "Menina de ouro" que eu nunca sei se concordo ou discordo: "Always protect yourself"

Uma outra que eu vi não me lembro onde: "Ninguém te maltrata sem a tua concessão".

sábado, 3 de novembro de 2007

Reflexão de boteco

Há o prazer passivo, e esta parece ser a melhor alternativa: o descanso absoluto do corpo e da mente.
Há, porém, o prazer ativo, requer esforço, concentração e cansaço; mas afirmo com certeza, que este é o prazer absoluto.
Existe também o meio-termo, o ser perdido entre o ativo e o passivo, isto se chama dor, física e intelectual.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Correntes

A temática da solidão ocupa minha mente com uma frequencia inenarrável, passei a última madrugada refletindo sobre quais seriam os motivos dessa fuga incessante e eterna.
Desde o nascimento, a cada dia buscamos acorrentar nossas almas a objetos, lugares, objetivos e principalmente a pessoas, tudo isso com o intuito de se distanciar cada vez mais dessa condição incontestável: o fato de cada ser humano ser único e portanto só.
O termo "acorrentar a alma" pode ser extremamente cafona, mas é o único que expressa a força com que nos prendemos às coisas fora de nós.Muitas vezes acreditamos piamente nos objetivos de nossas vidas, sem pensar que são também uma ilusão de que existe alguma certeza na vida, isso vale para qualquer relação que estabelecemos externas a nós.
A "liberdade" que é mostrada com tanto lirismo nos filmes nada mais é que uma utopia, é o homem desprovido de suas correntes, único e só, pleno.
Os jovens apaixonados acorrentam suas almas, buscando no outro o complemento de si próprio, para então se "fortalecer" eternamente com a instituição e provar a todos que não são mais um, e sim dois em um.Não preciso dizer o que essa "união de almas", a mais perigosa, o amor, é capaz de gerar.
A relação ideal seria aquela em que conseguíssemos ser "só" junto ao outro, desprovida de dependências.O mundo ideal seria aqueles em que os homens se sentissem confortáveis com suas solidões , talvez seja isso o paraíso, um lugar onde os homens convivem sem correntes; isso me faz ter vontade de conhecer esse lugar, talvez pensá-lo assim me faz ter menos medo da morte, pode ser que seja um alívio.
Termino por aqui por que esse texto está parecendo livro de auto-ajuda.
Sigo no meu deserto, lutando contra minhas correntes, quem sabe eu corro pro mar no final?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Resiliência

Andei pensando muito sobre um termo psicológico que está na moda: "Resiliência".
Depois de muito me confundir, resolvi procurar no dicionário, aí está:
■ substantivo feminino
1 Rubrica: física.propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica
2 Derivação: sentido figurado.capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças
Falo desse segundo sentido.
O que me encomoda nessa moda, é que estão atribuindo à tal da resiliência um sentido de divindade, além de alterarem e adaptarem o significado dela para uma série de outros diferentes.
Sim, é uma característica de alguns seres humanos, só não podemos começar a fazer o culto à resiliência, ou veremos homens buscando a frieza para superar os obstáculos como os vemos buscando a perfeição física para serem melhor aceitos pela sociedade.
A coisa não é tão simples assim, acho que independe do homem ser resiliente ou não, para ser franca, isso começa a ser apenas uma palavra.
Acredito que ao longo da vida, com a maturidade, o homem vai adiquirindo formas de "sobreviver" a algumas situações, talvez os tais dos resilentes possuam essa característica desde o nascimento.
Li recentemente um texto do Diderot de título: "Paradoxo sobre o comediante", e segundo o que compreendi dele, me parece que o ator ideal seria um "Resiliente", meu Deus, a palavra parece a solução de todos os problemas!
O autor é bem radical quando diz: "Qualidades principais de um grande comediante: Quero que tenha muito discernimento; acho necessário que haja nesse homem um espectador frio e tranquilo; exijo dele, por consequência, penetração e nenhuma sensibilidade, a arte de tudo imitar, ou o que da no mesmo, uma igual aptidão para todas as espécies de caracteres e papéis."
Apesar de radical, concordo com muito do que ele diz, afinal, tem-se a falsa impressão de que a arte do ator é feita com muita sensibilidade e emoção, quando na verdade me parece se aproximar muito mais da reflexão, da ação e do jogo.
Porém não podemos esperar do ator um homem dotado de tamanha proeza ao ponto de manter-se a vida distanciado emocionalmente das situações, esse seria o ideal, mas infelizmente, quando pensamos em atores, devemos nos lembrar de que são seres humanos e de que muitas vezes situações adversas prejudicam seu trabalho, como qualquer outro realizado por seres humanos.O que nos resta é nos educar para que possamos ao máximo adquirir essa "frieza" perante as situações cotidianas para nos tornarmos melhores observadores e melhores atuantes.
Acredito que talvez esse devesse ser um exercício de vida para qualquer um, começar a valorizar emocionalmente apenas as coisas que merecem tamanho valor, parar de banalizar as emoções. Não é tão simples!
Começo a compreender porque alguns diretores pensaram no passado na extinção dos atores e substuição por marionetes gigantes.
Termino com um suspiro de felicidade, afinal, esse momento merece ser exposto com emoção!